
O fortalecimento da agricultura familiar no sudeste do Pará vem ganhando novos contornos com os resultados do Programa Paricá – Territórios em Ação, iniciativa voltada ao desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Em Dom Eliseu, município da região que integra o eixo econômico entre Rondon do Pará e o sul do Maranhão, pequenos produtores rurais estão vivenciando uma transformação significativa na cadeia produtiva do mel.
A mudança começou com a doação de uma máquina para envase de mel em sachês à cooperativa local, fortalecendo a chamada “Casa do Mel”, na Vila Alto Bonito. A tecnologia permitiu que o produto passasse a atender padrões exigidos pelo mercado institucional, especialmente para fornecimento à merenda escolar da rede municipal.
Antes da implantação da máquina, o mel era comercializado majoritariamente a granel, em baldes e tambores, o que limitava o preço final e reduzia a margem de lucro dos apicultores.
Nesse modelo tradicional, o fluxo produtivo passava por várias etapas:
Apicultor → Cooperativa → Entreposto → Indústria → Mercado
Com o processamento local e o envase em sachês, a lógica mudou:
Cooperativa → Mercado institucional ou consumidor final
Esse encurtamento da cadeia produtiva amplia a autonomia dos produtores e aumenta a renda das famílias envolvidas.
Segundo a presidente da cooperativa Cooagro, atualmente composta por 24 cooperados diretos e cerca de 50 pessoas envolvidas indiretamente, a produção gira em torno de 18 toneladas anuais, com meta de alcançar 25 toneladas em 2026.
O impacto econômico é direto: mais margem de lucro, menos dependência de intermediários e maior previsibilidade de receita.
A adoção do mel em sachês atende a demandas práticas das escolas:
Experiências piloto demonstraram boa aceitação por alunos e gestores escolares.
O fornecimento para merenda escolar também garante mercado estável por meio de compras públicas, fortalecendo a economia local.
O Programa Paricá é fruto da parceria entre a Suzano, a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e a Aliança Bioversity & CIAT.
A primeira edição atua em cinco municípios estratégicos da região:
O objetivo é claro: fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, reduzir a pobreza e ampliar a inclusão social na Amazônia.
Além da apicultura, o programa envolve:
Rondon do Pará, município que o Diário da Vila acompanha de perto, integra o território de atuação do programa e faz parte da estratégia de fortalecimento econômico regional.
O impacto dessas iniciativas ultrapassa os limites municipais. A integração entre cidades como Dom Eliseu e Rondon do Pará fortalece a economia do sudeste paraense e cria novas oportunidades de geração de renda.
Quando o produtor deixa de vender apenas matéria-prima e passa a processar e comercializar, ele assume posição estratégica na cadeia produtiva.
Isso significa:
A apicultura é considerada atividade de baixo impacto ambiental e contribui para a polinização e manutenção da biodiversidade.
Ao alinhar produção, conservação e mercado, o programa cria um modelo que une:
Desenvolvimento econômico + Sustentabilidade ambiental + Inclusão social
Esse tripé é essencial para a consolidação de um novo ciclo econômico na Amazônia.
A Suzano, maior produtora mundial de celulose, participa da iniciativa como parte de sua estratégia de sustentabilidade e desenvolvimento territorial.
A atuação envolve:
O modelo demonstra como parcerias entre setor privado e organizações da sociedade civil podem impulsionar economias locais de forma estruturada.
O sudeste do Pará vive um momento de reorganização econômica.
Programas como o Paricá:
Para municípios como Rondon do Pará e Dom Eliseu, isso representa mais do que uma ação pontual — é mudança estrutural.
Ao acompanhar iniciativas como o Programa Paricá, o Diário da Vila reforça seu compromisso com a cobertura regional no sudeste do Pará, trazendo informações sobre desenvolvimento econômico, agricultura familiar e sustentabilidade.
A consolidação de cadeias produtivas locais é parte essencial da transformação econômica da região.
