
Por Jenielson Lopes Da Redação do Diário da Vila
Uma batalha jurídica de proporções gigantescas ameaça paralisar a principal obra de infraestrutura logística do Sudeste do Pará. O Ministério Público Federal (MPF) protocolou um recurso urgente na Justiça Federal pedindo a suspensão imediata da licença para o derrocamento (explosão) do Pedral do Lourenção. O órgão aponta falhas graves no licenciamento e a "invisibilidade" de milhares de ribeirinhos e pescadores que dependem do Rio Tocantins.
Mas o que é exatamente o Pedral do Lourenção e por que sua remoção causa tanta polêmica em cidades como Bom Jesus do Tocantins, Rondon do Pará, Abel Figueiredo e em todo o Bico do Papagaio? O Diário da Vila explica os detalhes deste projeto que divide opiniões entre o progresso econômico e a sobrevivência ambiental.
Localizado no coração do Rio Tocantins, o Pedral do Lourenção é um imenso paredão rochoso submerso de 43 quilômetros de extensão. Ele fica situado majoritariamente no município de Itupiranga (PA), no trecho que liga Marabá ao Lago da Usina de Tucuruí.
Para o Governo Federal e o Dnit, essas pedras são um "gargalo" que impede a navegação de grandes barcaças durante o período de seca (maio a outubro). A ideia é explodir parte dessas rochas para criar um canal de navegação, consolidando a Hidrovia Araguaia-Tocantins. O objetivo é escoar soja e minério do Centro-Oeste diretamente para o Porto de Vila do Conde, em Barcarena.
No recurso apresentado nesta semana, o procurador da República Rafael Martins da Silva aponta contradições na decisão judicial que liberou os canteiros de obras em dezembro de 2025. Os principais pontos são:
Embora o pedral esteja fisicamente em Itupiranga, o impacto é sistêmico. O Rio Tocantins é um organismo vivo; o que acontece em um trecho afeta toda a bacia hidrográfica.
O Ministério Público Federal pede que a Justiça determine a paralisação total das obras até que o Dnit:
O caso do Pedral do Lourenção é o maior símbolo atual do desafio de desenvolver o Pará respeitando quem vive da terra e da água. O Diário da Vila continuará acompanhando cada passo desta disputa judicial que define o futuro do nosso Rio Tocantins.
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Por Jenielson Lopes Da Redação do Diário da Vila